Decisões
- Por Mídia e Saúde
- Publicado 27/01/2008
- Saúde
- Não Avaliado
É usual que levemos por nosso viver dificuldades, desejos e aspirações das mais diversas, cuja realização depende da tomada de atitudes. Estas são incessantemente postergadas por nossas incertezas, inseguranças e indecisões.
Muitas vezes, ao olharmos para trás, decepcionamo-nos conosco ao observarmos o quão pouco progredimos. A maioria dos planos mal saiu do rascunho. Prometer-se esta ou aquela atitude e adiar ou não cumpri-la torna-se uma macabra dança cadenciada em nossa mente, usurpando nossas energias psíquicas e tumultuando nossos pensamentos. A cada frustração, a crença em nossa capacidade de autodeterminação se vê abalada, porque não conseguimos iniciar projetos ou implementar hábitos de vida. Pior do que a não-tomada de decisão acarreta é o mal-estar da luta íntima travada em que nos tornamos nosso próprio carrasco.
Essa dificuldade acontece, invariavelmente, quando não estamos inteiros em nossas decisões ou aspectos pouco claros de nosso “eu” são desconsiderados. Usar simplesmente de “pensamento positivo” e “motivação” fustiga o verniz da personalidade e raramente atinge a essência do ser. Conhecer a si próprio e enfrentar os aspectos contraditórios é uma difícil e meticulosa tarefa. Por isso, a maioria busca fórmulas prontas e receitas de bem-viver. Modelos ideológicos totalitaristas para explicar a vida e dizer-lhes o que fazer.
Repetir hábitos, rotinas e situações mais do que desejamos é sempre desconfortável; é experimentar a vida como uma eterna repetição. Tomar decisões de mudança é sempre importante. Devemos, porém, perguntar-nos até que ponto estamos prontos e qual é realmente a nossa disposição para tal. Se nossas metas são passíveis de realização e se o fardo é o que realmente estamos dispostos a carregar. Se temos um projeto claro e não uma mera coleção de boas intenções sem qualquer fundamentação. Se somos capazes de lidar com nossa ambigüidade e apaziguar os ânimos internos, conciliando nossas diferentes “vozes interiores” para sempre conseguir algum progresso em nossas aspirações.
O problema não está em buscar o progresso, mas sim em colocar objetivos distantes do que pede a nossa alma. E, numa tentativa de compensar o não-feito, propor-se a um nível de tensão e obstinação ainda maior. Querendo voar quando mal sabemos caminhar nos condena a não sairmos do lugar.
Uma franca conversa conosco mesmo é sempre salutar e nos previne de inúmeras confusões. Seremos realmente livres e inteiramente capazes de estarmos inteiros em nossas decisões, quando houver realismo e embasamento ao lidarmos com nossa personalidade frente à vida e às suas infinitas situações{.}
Dr. Hélio Borges - CRM/PR 16.914 - Psiquiatra e Psicoterapeuta
